Tal como disse no texto anterior, no grupo dos macronutrientes incluem-se
os hidratos de carbono/glúcidos, as proteínas/prótidos e as gorduras/lípidos.
Neste texto vamos falar um bocadinho sobre os hidratos de carbono: a importância
deles para o organismo, e os alimentos em que eles estão presentes. Nos
próximos textos sobre este assunto irei falar sobre as proteínas e os lípidos
e, depois, mostrar-vos uma ferramenta que vos permite calcular a vossa
necessidade diária de cada macronutriente e explicar como podem calcular, para
cada refeição que façam, a quantidade de cada macronutriente que estão a ingerir.
Vamos começar por falar de calorias: 1g de hidratos de carbono fornece 4 calorias. No entanto, isto é apenas um valor referência porque, regra
geral, a maior parte dos alimentos não é constituída apenas por um
macronutriente, mas por um conjunto de diversos nutrientes. Mais importante do
que saber quantas calorias cada macronutriente fornece por grama é saber a
nossa necessidade diária de cada macronutriente, que vos explicarei no último
texto sobre este assunto.
Os hidratos de carbono são os macronutrientes que necessitamos em maior
quantidade, uma vez que são a principal fonte de energia no nosso corpo [precisamos de energia para as funções vitais que mantêm o nosso corpo em funcionamento; é a isto que chamamos metabolismo basal, e é a nossa taxa de metabolismo basal associada à nossa taxa de actividade e idade que nos indicam as nossas necessidades diárias de energia (calorias)]. Além
disto, precisamos deles para o bom funcionamento do sistema nervoso central,
dos rins e dos músculos (incluindo o coração). Este macronutriente, que pode
ser armazenado nos músculos e no fígado e posteriormente usado para a obtenção
de energia, é também importante para a saúde intestinal e para a eliminação dos
resíduos do nosso organismo. As principais fontes de hidratos de carbono na
nossa alimentação são os cereais, batatas, frutas, leite, iogurte e mel, mas eles
estão também presentes noutros alimentos como as leguminosas, oleaginosas e
sementes, embora em menor quantidade. Apesar da importância que este
macronutriente tem na nossa alimentação diária, devemos ter cuidado com o tipo
de hidratos de carbono que consumimos; devemos privilegiar a ingestão de
hidratos de carbono provenientes de cereais integrais (aveia, arroz integral,
pão e massas feitas com farinhas integrais) e alimentos com baixo índice
glicémico e carga glicémica (os chamados hidratos de carbono de absorção lenta),
uma vez que este macronutriente tem uma influência directa na subida da glicose
sanguínea (açúcar no sangue) e não é benéfico para a nossa saúde sofrermos
subidas e descidas acentuadas e rápidas de glicémia. Os hidratos de carbono de
absorção lenta deixam-nos saciados durante muito mais tempo, uma vez que a sua
digestão e absorção pelo nosso organismo é mais lenta. Já os hidratos de
carbono simples ou refinados são digeridos de forma muito mais rápida,
deixando-nos com fome pouco tempo depois. Assim, devemos consumir o mínimo
possível de hidratos de carbono provenientes de alimentos refinados e
processados, como o pão branco e os produtos de pastelaria. A fruta, devido ao
açúcar natural que tem na sua constituição, é considerada um hidrato de carbono
de absorção rápida, motivo pelo qual deve ser sempre acompanhada de outro
alimento que atrase a sua absorção, como alimentos ricos em proteína ou
gorduras saudáveis, tal como descrevo neste plano alimentar.
Dentro do grupo dos hidratos de carbono costumam incluir-se as fibras, um
tipo de hidratos de carbono que o nosso corpo não digere e que, por isso,
passam intactas pelo nosso tracto gastrointestinal, ajudando o corpo a eliminar
resíduos e restos de alimentos que não aproveita. O consumo de fibras é
extremamente importante; dietas com baixo teor de ingestão de fibras têm sido
associadas com problemas de obstipação, hemorroidas e a um aumento do risco de
sofrer de certos tipos de cancro, nomeadamente cancro do cólon. Mas, pelo
contrário, dietas com alto teor de fibra têm sido relacionadas com um menor
risco de doença cardíaca, obesidade, além de ajudarem a baixar o colesterol. Frutas,
vegetais e cereais integrais (cereais integrais não são cereais de
pequeno-almoço, nem bolachas ou barras de cereais e sim aveia, trigo, centeio,
espelta e cevada integrais) são alimentos com um bom conteúdo em fibra.
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